Amamos aqueles que são considerados lixo pela sociedade. (Toca de Assis)



Escrito por Débora (Cléo) às 19h42
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Através deste trabalho de campo, percebi o quanto esses moradores de rua sofrem, e o quanto precisam de ajuda, carinho e atenção para saírem das ruas. Muitos deles foram parar nas ruas, porque bebiam muito e as esposas ou familiares os colocaram para fora de casa. Muitos saem por vontade própria, porque não agüentam tanto sofrimento em casa. Depois que estão nas ruas, fica difícil se reerguerem porque a sociedades muitas vezes os julgam como lixo. Uma das casas da Toca de Assis que visitei, cuida de irmãos de rua doentes, muitas vezes em fase terminal. O cheiro não era nada agradável. Mas recebem todo o cuidado pelos irmãos da Toca de Assis. Por não terem para onde ir, permanecem ali até morrer.

Pude enxergar nesses irmãos de rua o "próximo", perceber o sofrimento deles e tentar ajudar de alguma forma. O que eles precisam na verdade, é se sentirem amados, acolhidos, para que um dia, dignamente, possam retornar à sociedade.



Escrito por Débora (Cléo) às 19h37
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 Juarez é mais um ex morador de rua. Ele não aceitou ser entrevistado, mas deu seu depoimento. Confiram!

Eu me chamo Juarez Mariano, conhecido como Jorge. Tive o desprazer de me entregar ao álcool, só não cheguei a conhecer as drogas. Cheguei a morar nas ruas, dormindo embaixo de marquises, só Deus sabe o que passei e às vezes nem gosto de lembrar do meu passado, pois quando lembro, sofro duas vezes. Numa dessas noites em que dormia na rua, sem forças devido a bebida, pedi a Deus que me ajudasse, pois não suportava mais os sofrimentos que passava. Graças a Deus que iluminou os irmãos da Toca de Assis, fui tirado do "lodo" e minha vida está transformada! Porque sem Deus nós não somos nada, não é verdade? Eu agradeço a Deus que tem me dado vida em abundância e o amor dos irmãos religiosos e acolhidos, pois somos uma família. A tudo dou graças a Deus.



Escrito por Débora (Cléo) às 19h09
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Escrito por Débora (Cléo) às 19h08
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Um dos moradores de rua, acolhido pela Toca de Assis. Muitos não aceitam morar na Toca. Recebem tratamento, cortam os cabelos, fazem a barba, se alimentam e depois voltam para as ruas.



Escrito por Débora (Cléo) às 19h07
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Escrito por Débora (Cléo) às 19h05
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Confiram a entrevista realizada com a ex-moradora de Rua Marilinha.

Marilinha, hoje você não vive mais nas ruas, mas me conte um pouco de como era a sua vida nas ruas até conhecer a Toca de Assis.

Eu saí de casa porque não me dava com minha madrasta. Meu pai era massagista do atlético e foi encontrado morto no vestiário do Mineirão. Ela era muito ruim com a gente. Comigo e minhas irmãs. Tenho duas irmãs gêmeas, não sou eu não, elas são gêmeas. Não sei onde elas estão não. Eu bebia muito, aí eu fugi. Eu não agüentei e fui morar na rua. Sabe as pessoas é muito ruim.

Onde você "morava"?

Na praça. Sabe aquela praça da Igreja, ali na lagoa? (lagoa da Pampulha), eu ficava ali. Dormia ali, nos banco da praça. As pessoas me dava as coisas. Me dava roupa. Quando chovia, eu escondia nas marquises. Carregava só aquilo que levava comigo, o resto ficava lá. Molhava tudo.

Você me disse que bebia muito. Como você fazia pra beber na rua?

Eu pedia as pessoas. Quando não tinha, eu ia no posto de gasolina e pedia o moço um pouco de álcool. Falava pra ele que era pra limpar minha casa. Que casa? Eu nem tenho casa. (risos) Eu enganava ele. Coitado! Ele me dava. Aí eu bebia tudo. Fazia uma festa, dançava na rua e tudo.

E como você saiu das ruas?

O Padre Lourival. Senão fosse o Padre, eu não sei não. Por causa da minha madrasta eu levei um tiro no pé. (ela tem uma deficiência no pé). Outro dia, eu tava bêbada e fui atravessar a rua e fui atropelada. Tenho pino nas perna. Aí me levaro pro hospital. Depois que saí do hospital, me levaram prum abrigo. "Maria, Maria", você conhece? Eu não gostava não. Sentia falta da cachaça. As menina de lá era boazinha, mas eu não fiquei não. Eu fugi. Voltei pra rua.

E quem te tirou da rua de novo?

O Padre Lourival. Eu misturei álcool do posto com água e açúcar e bebi. Fiquei toda escamada. Sabe peixe? Fiquei assim. Aí o Padre me levou pro hospital. O Padre deixava eu tomá banho na Igreja, lá nos fundos tinha um banheiro. Ele me dava comida. Depois que saí do hospital ele me trouxe pra Toca de Assis. Pra mais de mês que to aqui. Aqui eu tenho tudo. Essas meninas são muito boa com a gente.

Você tem família, Marilinha?

Tenho duas irmãs e três filhos. Não sei onde eles estão... (emocionada) Nem sei quantos anos eles tão. Mas eu to bem aqui. Jesus me tirou da rua. Eu não volto mais não. Daqui eu saio pra minha casa. Se Deus quiser vou arrumar um cômodo pra mim. Eu ganho muita coisa aqui. Eu faço tapete e vendo. Se alguém vier aqui pedi roupa eu dô. Eu ganho muita roupa.

Como você percebia as "outras" pessoas enquanto você estava na rua?

Tem muita gente ruim, mas tem muita gente boa que ajuda a gente. As outras eu não sei onde estão não. (se referindo as outras pessoas que moravam com ela na rua). Tudo que você for fazer, pede pra Jesus. Não pede ninguém não. Vai prum canto e pede Jesus. Você é o que? –Estudo publicidade e propaganda.- Minha língua não fala isso não. Você parece medica. Você tinha que ser medica. Porque você não vai ser medica?



Escrito por Débora (Cléo) às 19h02
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O Programa Miguilim atende crianças e adolescentes que vão viver nas ruas de Belo Horizonte. O principal objetivo do Programa Miguilim é implementar e executar a política pública de atendimento e assistência às crianças e adolescentes com trajetória de vida nas ruas na cidade de Belo Horizonte.



Escrito por Débora (Cléo) às 20h09
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Veja abaixo alguns abrigos oferecidos pela Prefeitura aos moradores de rua.

Programa para a população de rua
O Programa é voltado para o atendimento à população adulta de rua. Oferece suporte técnico necessário à reintegração do morador de rua na sociedade. Desenvolve este trabalho com vários parceiros , com destaque para Grupo Espírita O Consolador e Pastoral de Rua. Integram a política de atendimento à população de rua os seguintes equipamentos e serviços:

Centro de Referência de atendimento a população de rua
Oferece serviços de higienização, guarda-volumes e documentos, lavagem de roupas, acompanhamento social e lazer.

Avenida do Contorno, 10.852 - Centro
Telefone: (0xx31)3271-8484

República Reviver
Atende homens solteiros que vivem nas ruas por um período de no máximo um ano. Durante este período são trabalhados sua reinserção social e profissional.

Endereço: Rua Varginha, 244 - Bairro Floresta
Telefone (0xx31)3277-6034

República Maria, Maria
Moradia temporária para mulheres moradoras de rua sozinhas ou com filhos até 6 anos. Oferece serviço de higienização, acompanhamento e encaminhamento social, curso profissionalizante, alfabetização.

Endereço: Rua Ubá, 1 - Bairro Floresta
Telefone: (0xx31)3277-6099

Se Essa Casa Fosse Minha
Programa de atendimento às famílias moradoras na rua com uma bolsa aluguel. Durante um ano a PBH financia o aluguel de um imóvel, alem de acompanhar o desenvolvimento social da família.

Telefone: (0xx31)3277-4513

Albergue Noturno Municipal
Oferece pernoite, jantar, café da manhã, higienização, acompanhamento e encaminhamento social para população masculina, adulta de rua.

Rua Araribá, 250 - Bairro Lagoinha
Telefone: (0xx31)3422-5136

Abrigo São Paulo
Centro de triagem e acompanhamento social à população em situação de risco pessoal e social do município.

Rua Elétron, 100 - Bairro Primeiro de Maio
Telefone: (0xx31)3277-6763

 



Escrito por Débora (Cléo) às 20h01
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Em breve irei publicar as entrevistas com alguns moradores de rua. Aguardem....

 



Escrito por Débora (Cléo) às 19h50
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Escrito por Débora (Cléo) às 20h36
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Os moradores de rua se dividem em três tipos:

  1. Os recém-deslocados: São pessoas que tem pouco tempo de vida nas ruas. Se encontram na situação desconcertante e estafante de estarem psicologicamente fora das ruas, mas fisicamente atolados nela.

  2. Vacilantes: Se os esforços que uma pessoa recém-deslocada faz para sair das ruas são continuamente mal-sucedidos, ela freqüentemente muda a auto-orientação e o comportamento. Freqüentemente nesse estágio , a fala e a ação são inconsistentes. tem de um lado a distância da vida domiciliar e a prática da vida nas ruas.

  3. Outsider - os moradores de rua recém-deslocados a medida que se acostumam com a vida nas ruas podem, por sua vez, se deixar levar mais ainda para a vida de rua, tanto na sua orientação psicológica quanto sua rotina cotidiana mais concentrada na sobrevivência nas ruas do que sair delas. Estes indivíduos moradores de rua se tornaram Outsider.. O conceito de outsider se refere à condição de estar permanentemente e por imputação colocado fora das disposições estruturais de um dado sistema social, ou de estar situacional ou temporariamente excluído, ou de voluntariamente se excluir do comportamento de membros que têm status e função dentro daquele sistema.



Os outsiders podem ser divididos em três subtipos:

  1. Andarilhos - o andarilho é um trabalhador migrante, são altamente migratórios com um raio de ação muito maior que os outros moradores de rua. Suas viagens são tipicamente padronizadas e não aleatórias. Possuem um forte senso de independência e autocontrole que os leva a desprezar tanto os novatos de rua que ainda não aprenderam as regras do jogo e os que vivem em grande parte das esmolas de entidades de caridade organizadas ou que aceitam apoio substancial de serviços sociais.

  2. Mendigos : o termo mendigo significa tradicionalmente um não-trabalhador não-migrante, cujo raio de ação está, em geral, limitado a uma zona marginal e que é um alcoólatra crônico. Raramente se envolvem em trabalho remunerado. Isso ocorre não tanto porque são preguiçosos mas porque se tornaram indiferentes ou porque estão fisicamente debilitados devido a anos de vida dura e muita bebida. Ao invés disso sobrevivem graças a uma combinação de mendicância, comércio, catação de lixo, doações de instituições de caridade e apoio de serviço social.

  3. Doentes Mentais - estão entre os mais imóveis raramente se movimentando voluntariamente além de sua órbita cotidiana. Dentro desse circuito, eles sobrevivem principalmente aceitando doações, catando comida no lixo e mendigando. Na sua rotina de vida não incluem o uso de álcool e droga, são os mais reclusos e socialmente isolados.



Escrito por Débora (Cléo) às 20h35
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Quem são os moradores de rua?

      Tratam-se de homens e mulheres que, por não relacionarem mais/ou ainda com o trabalho, como trabalhadores formais, também não se relacionam com o dinheiro (enquanto remuneração pela venda contratual de sua força de trabalho). Geralmente não possuem existência legal (uma vez que não possuem documentos que os identificam como cidadãos) e não possuem local de moradia (entendendo simultaneamente como espaço de relações pessoais e sociais). São homens e mulheres que romperam seus vínculos com a família, vizinhos e amigos, com o bairro, a cidade ou o estado de origem, com os espaços institucionais e de lazer , antes ocupados e via de regra com os referenciais simbólicos que norteavam seus princípios morais e religiosos.    

     O mundo social dos indivíduos em situação de rua, é constituído de uma subcultura limitada, sendo um mundo do social que não é criado ou escolhido pela grande maioria destes indivíduos, pelo menos não inicialmente mas para o qual a maioria foi empurrada por circunstâncias além do seu controle.Como as pessoas em toda a parte, os indivíduos em situação de rua tem de comer, dormir, eliminar, viver dentro do seu orçamento e construir um senso de significados e amor próprio. Entretanto devem atender a esses requisitos de sobrevivência sem os recursos e estruturas de apoio social que a maior parte de nós dá como certa. Como estes indivíduos estão no nível mais baixo do sistema de status, também faltam as fontes de dignidade e respeito baseado nos papéis desempenhados que tipicamente advém para aqueles que estão mais acima da hierarquia social



Escrito por Débora (Cléo) às 20h35
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Foto morador de rua-www.vitruvius.com.br

Escrito por Débora (Cléo) às 18h28
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Seja bem vindo!

Gostaria de convidá-los para conhecer um pouco da vida desse povo tão sofrido: os moradores de rua.



Escrito por Débora-Cléo às 18h36
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